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Colaboradores

Coluna do Zé Maria

Publicado em 16 de abril de 2010

Ze Maria


Um barzinho, um violão e uma roda de amigos – Foi o “AUÊ DO PAGODE”.

Um barzinho, um violão e um grupo de amigos, esta é uma fórmula infalível para estarmos frente a frente e nos assimilarmos com a música. Isto, normalmente, é início de tudo e para mim não foi diferente.


O samba começou na minha vida, como na maioria dos casos, em um barzinho. O samba não era o estilo mais apreciado naquela roda de amigos e sim o estilo sertanejo, caipira, moda de viola e vertentes.

Naquele barzinho, tinha um senhor, não me recordo o nome, que sempre levava e tocava seu violão. Nós ficávamos ali bebendo uma(s) cerveja(s), comendo petiscos, curtindo a música, batendo na mesa, nas garrafas e nos copos, como se isto fizesse parte da melodia.

Um dia, entre uma música e outra, ele deixou o violão no balcão. Curioso, peguei o violão e comecei a dedilhar sem compromisso. Meu amigo e parceiro de boteco, sempre juntos nas noitadas, cantor da calada da noite e que gostava muito de MPB, samba e outros estilos variados, me deu a dica do samba do Agepê e começou a cantar.

Instintivamente comecei a tocar aquela música no violão com acordes “arroz com feijão” e, para nossa surpresa, o público presente acabou se empolgando com o ritmo, com a melodia e começou a acompanhar batendo nas mesas, nas garrafas, nos copos (como mencionei anteriormente, para eles, isto já fazia parte de qualquer melodia).

A empolgação era tanta, que o “acompanhamento” do público ficou muito forte e com “aquele” violão, com cordas de nylon, não se conseguia ouvir os acordes.

Já com uma certa “notoriedade” no boteco e no intuito de superar o “acompanhamento” desregrado, percebi que, conseguia acordes mais altos quando se batia nas cordas finas do violão.

Naquela época o samba já contava com o cavaquinho. Eu nunca tinha tocado e nem mesmo tido em minhas mãos este instrumento, tampouco conhecia seu método ou sua maneira de tocar, mas já sabia que com ele eu conseguiria acordes mais altos. A partir daí, decidi que iria tocar cavaquinho.

Fui a várias lojas e não encontrava o danado. Depois de muito andar, resolvi, em uma última tentativa, entrar em uma loja pequenininha, mesmo não vendo qualquer cavaquinho na vitrine.

Mas foi nesta lojinha que fui achar e comprar o meu cordofone. Ele não estava exposto na vitrine, mas sim no fundo da loja, pois tinha um pequeno defeito na estrutura, mas nada que afetasse seu desempenho. Comecei a afiná-lo, afinação natural (do violão), ou seja, os acordes do violão eu transportava para o cavaquinho. Então comecei a tocar cavaquinho.

Continuava naquele barzinho, tocando meu cavaquinho, o público (fregueses) tinha aumentado, a cerveja baratinha, mas mesmo assim, ainda não estava satisfeito com o instrumento.

Não estava contente, porque via outros cavaquinistas tocarem e percebia que o jeito que eu tocava, com aquela afinação (do violão), não estava muito apropriado, pois incomodava e muito os meus dedos.

Resolvi afinar o cavaquinho na afinação natural, chamada “Paraguaçu” (tipo afinação de viola), aí ficou mais complicado, por que mudou todos os acordes. Eu tinha que aprender, de qualquer maneira, a tocar cavaquinho. Fui aprendendo, modificando, adaptando para o meu jeito e daí comecei a fazer samba.

Naquela época os sambas de sucesso eram de Agepê, Clara Nunes, Beth Carvalho, Bezerra da Silva e depois surgiram nomes como Fundo de Quintal, Zeca Pagodinho, fazendo com que o samba se revigorasse. A turma que “brincava” no barzinho, começou a querer levar “aquilo” um pouco mais a sério.

Resolvemos comprar os instrumentos necessários, até porque, o pessoal já “empolgado”, não podia mais bater nas mesas, nas garrafas, nos copos; eles caíam, quebravam e a gente sempre ficava no prejuízo. Adquirimos uma timba, reco-reco, ganzá e pandeiro, este último doado pelo amigo “Cabelo”.

A partir daí, começamos a fazer o samba mais cadenciado, onde arrebanhamos mais adeptos. Só tínhamos um probleminha, os percursionistas do barzinho, que eram na maioria das vezes os fregueses, não eram exatamente a perfeição.

Meu amigo e parceiro de boteco, o Gomes, teve uma idéia, resolveu convidar e apresentar para a galera, dois garotos que se despontavam na percussão, o “Gordo” e o “Vassoura”. Estes garotos começaram a participar da roda, fazendo linha de frente com o pandeiro e repique de mão, e a partir disto começaram a fazer parte do grupo. Mais adiante, o Valmir (primo do Gordo) veio somar tocando tan-tan, ficando o grupo formado com “Gordo” no repique, “Vassoura” no pandeiro, Gomes no reco-reco e eu no cavaquinho.

Nosso primeiro convite oficial foi feito pelo “Japão”. O “Japão” tinha um barzinho na região continental de São Vicente (SP) e ele iria inaugurar o bar. Convidou o grupo apenas para comparecer e prestigiar o samba de roda que ele iria promover na inauguração. Segundo o “Japão”, ele já havia contratado um grupo de samba bastante conhecido na região; já havia feito a divulgação do evento em todo o bairro e nas circunvizinhanças e que o nosso papel, era somente para prestigiar, se tivéssemos uma oportunidade, poderíamos dar uma palhinha.

Então pensei, vou matar dois coelhos com uma cajadada, vamos à inauguração, vejo o cavaquinista deste grupo conhecido tocar, aprendo e aprimoro meus conhecimentos mais um pouquinho, e se der, apresentamos nosso trabalho.

No dia da inauguração, com os instrumentos nas sacolas, chegamos ao boteco do “Japão”.

O bar já estava lotado, um dia de calor intenso, várias caixas de cerveja já tinham sido vendidas e o público (fregueses) ansioso e impaciente para a chegada do grupo famoso para começar o samba.

Quando menos percebemos, o “Japão”, na astúcia herdada de seus antepassados supostamente orientais, pegou o microfone e anunciou a apresentação do grupo “AUÊ DO PAGODE”.

Mas quem era e onde estava este grupo, que eu não havia visto chegar?

O grupo “AUÊ DO PAGODE” na realidade era nós mesmos, pois ele não tinha contratado nenhum grupo de samba. Era mais uma artimanha do “Japão” para sair no lucro.

Graças a Deus, fizemos uma boa apresentação e a galera gostou muito. Assim iniciamos, de forma mais séria, nossa caminhada musical, com o codinome “AUÊ DO PAGODE”, batizado pelo “Japão”.

A partir daí, mantivemos um público cativo, pois tocávamos toda sexta-feira no Bar do “Japão” e depois no bar “Chega Mais”, entre outros.

Vimos surgir novos grupos de samba que se apresentavam em diversos bares, que além dos instrumentos tradicionais, utilizavam o acompanhamento do violão.

Nosso grupo não tinha violão, somente cavaco e percussão. Então percebemos que precisávamos de um violão, para que pudéssemos dar mais qualidade ao nosso trabalho.

Nesta época, o pai do “Gordo”, o “Carioca”, exímio músico da noite, que com seu violão e contrabaixo, executava os estilos MPB, Samba, Forró, entre outros, foi convidado a participar do “AUÊ DO PAGODE”.

O grupo “AUÊ DO PAGODE” teve uma grande divulgação e ganhou prestígio participando de vários festivais de samba.

Aue

Hoje, ainda envolvido na paixão pela música e com mais frequência pelo samba, fico relembrando e colocando no papel as nossas passagens.


Um forte abraço do Zé Maria


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Este artigo recebeu 8 comentários

  • Já passou da hora de termos um outro texto…rsrsrsrs
    Queremos mais histórias…..
    Muito bom….
    Parabéns Zé, estamos esperando vocês em peso la no Pagode da 27….

  • robson gomes disse:

    Boa Noite Zé Maria fico muito feliz por resgata essas lembraças do “AUÊ DO PAGODE uma coisa que fez parte de minha infancia e momentos maravilhosos que participei só fico meio triste porque muitas vezes meu pai (gomes) não deixava eu ir pros pagodes da noitada mas ta joia kkkkkk mas fico muito feliz por relembra esses momentos que nunca deveria ter parado ou ter dado um tempo

    Parabens Zé Maria
    Robinho

  • Ana Maria disse:

    Quando vejo essa alegria, essa felicidade ao pegar um violão e começar a tocar, parece que é só você e o violão, me vem na memória uma pessoa muito especial, que também como você, bastava uma roda de amigos e um violão ou uma tampa de panela naquela casa vazia, onde junto aos seus, se tornava até compositor. É, não poderia ser diferente, em cada um de nós tem um pouco dele, mas você é a presença mais viva daqueles momentos. Desculpe por relembrar aqueles poucos e bons momentos que ficaram na minha memória , mas é o que eu estou sentindo nesse exato momento, olhando na internet essa página de nome COLUNA DO ZÉ MARIA parabéns….


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