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Arlindo Cruz – Sucesso do DVD e CDs da série MTV ao vivo

Publicado em 29 de março de 2010

Com 30 anos de carreira, o sambista carioca diz que o músico brasileiro é um vencedor e celebra sua paixão pelo ofício.

Walter Sebastião – EM Cultura

Arlindo Cruz é o favorito de nove entre 10 sambistas do Brasil. Levam a assinatura dele pencas de sucessos de Zeca Pagodinho, o cantor que mais gravou as composições desse carioca de 50 anos, cujas primeiras canções foram escritas quando ele era adolescente e estudava na Escola Preparatória de Cadetes do Ar, na cidade mineira de Barbacena.

Com quatro discos solo, cinco em dupla com o parceiro Sombrinha e 11 com o Fundo de Quintal, Arlindo tem cerca de 550 sambas interpretados por Maria Rita, Marcelo D2, Beth Carvalho, Jorge Aragão, Alcione e Rappin Hood, entre outros. O bamba acabou de lançar DVD e dois CDs da série MTV ao vivo. “É show com cenário bonito, músicos tocando bem, a rapaziada da batucada botando para quebrar e a galera cantando comigo”, conta.

O espetáculo sintetiza esses 30 anos de carreira, com direito a repertório de sucessos, banda com 15 músicos e convidados especiais. “Zeca Pagodinho quebrou tudo e ainda mandou verso para mim, o que me emocionou”, conta Arlindo, feliz com os presentes recebidos: “a luminosidade” de Beth Carvalho, “a alegria” de Marcelo D2 e o dueto com o filho, Arlindo Neto.

“Nasci sambista”, avisa o cantor e compositor. Aos 7 anos, ele já carregava o cavaquinho dado pelo pai, Arlindão, que lhe ensinou as primeiras notas, solando Brasileirinho. “Sou de casa que não tinha vitrola. Música era no violão”, explica o músico, relembrando as animadas rodas de seresta, de samba e de choro com pai, mãe, irmão, tias e compositores amigos da família.

Adolescente, Arlindo estudou teoria, solfejo e violão clássico. Na época, atuava profissionalmente tocando ao lado de Candeia, seu padrinho musical, com quem gravou um compacto. A partir dos 15 anos, ele começou a compor em Barbacena, onde morou durante três anos. Naqueles tempos, apresentou-se em festivais de música mineiros e venceu alguns, como o de Poços de Caldas. De volta ao Rio de Janeiro, passou a frequentar o Cacique de Ramos – reduto de jovens sambistas, como Zeca Pagodinho e Sombrinha. O talento do rapaz chamou a atenção e, rapidamente, 12 músicas dele foram gravadas por vários intérpretes. A primeira, Lição de malandragem. Beth Carvalho lançou Grande erro e Alcione, Novo amor.

EMOÇÕES

“Um dia, passeando pelo comércio de Cascadura, vi um cara assobiando uma música. Notei que era minha e tinha acabado de tocar no rádio. Foi emoção grande. Me senti o cara. Pensei: sou sucesso”, conta o bem-humorado Arlindo. Ele ficou nas nuvens quando deu o primeiro autógrafo, em São Paulo. O fã lhe disse que, além de ouvir o que ele compunha, tinha se casado com a música dele.

“No Rio, não tínhamos nem curtíamos esse negócio de fã. Para nós, sambista era um sujeito comum, que você encontrava no botequim. Foi uma surpresa observar como São Paulo tratava o sambista com mais carinho”, conta.

Uma composição que adora ter criado: “O show tem que continuar. Luiz Carlos da Vila, que tinha acabado de se separar, a iniciou com letra triste. Eu e Sombrinha levantamos a música nas outras partes. E ela virou mensagem de renovação da esperança. Toca em casamento, em aniversário, em tudo que é lugar”. Mas ele também gosta de Saudade louca e de Meu lugar – esta, homenagem a Madureira, “onde surgiu o Arlindo compositor do Império Serrano”.

Considerado por muita gente o maior sambista do Brasil, ele brinca: “Dizem isso porque sou gordo, mas o Péricles do Exaltasamba é mais gordo do que eu”. Envaidecido com o respeito conquistado por seu trabalho, Arlindo se preocupa em manter o nível de suas canções. “Fico na obrigação de fazer tudo direitinho. Estou mais cansado, mas ainda pego no pé do adversário.”

Para o compositor carioca, Zeca Pagodinho e Beth Carvalho são os intérpretes mais fiéis à melodia, à harmonia e ao espírito de suas composições. “Beth segue até a respiração do autor. Com respeito aos demais, é a melhor escolha de repertório do Brasil. Maria Rita também tem essa preocupação”, elogia.

Um motivo de felicidade: “A nova guarda do samba, que chegou com misturas e sons diferentes. É muito bacana”.

FALA, ARLINDO

Autorretrato – “Sou cantor e toco, mas sou compositor. Acabo de fazer um samba, estou alegre. Então, como componho muito, dizem que sou compulsivo, tenho muita alegria em casa. Se a música faz sucesso, melhor, completa o ciclo. É a vida que me dá o mote. Sou inspirado e agradeço a Deus por isso. Falo dos lugares em que vivi, dos sentimentos do brasileiro quando ama ou quando reclama. O que faço é crônica do dia-a-dia. O samba é o povo nas suas alegrias e tristezas, com suas frustrações e esperanças.”

Músico brasileiro – “Mais do que herói, é um vencedor. É João Bosco, Djavan, Milton Lana, a nova geração de instrumentistas. Grandes compositores, ótimos percussionistas e ritmistas. Mesmo com todas as dificuldades, com poucas escolas – hoje temos mais –, o que vier nós tocamos. E, no exterior, tocamos a música dos outros, recebendo muitos elogios. Eles têm dificuldade de fazer o que é natural para nós.”

Brasil – “Sou partido alto. Por sua diversidade, o povo brasileiro, na essência, é do bem. Essa gente trabalhadora, sofrida e emocionada merecia ser mais bem tratada. Ela é, realmente, a nossa maior riqueza. Mas há alguns maus exemplos que o povo, infelizmente, segue.”

Arlindo Cruz fala do CD/DVD MTV Ao Vivo.


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