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Baterias: Ritmo e musicalidade que embalam o carnaval

Publicado em 11 de janeiro de 2013

Por Rafael Arantes

Rio –  Faltando menos de um mês para o Maior Espetáculo da Terra, a adrenalina e emoção dos ensaios seguem tomando conta dos foliões de todo o Rio. Entretanto, cada instante mais próximo do carnaval pode significar um ciclo de emoções ainda maiores para os envolvidos com a festa.
Em preparação desde o primeiro semestre de 2012, muitas baterias seguem trabalhando a todo vapor para ajustar seus últimos detalhes para mais um ano na Passarela do Samba. Durante todo o tempo de pensamentos e ensaios, mestres, diretores e ritmistas se deparam com detalhes primordiais na busca pela perfeição de sua apresentação, e seguem idealizando métodos de aperfeiçoar seus trabalhos.
De um outro lado, julgadores estudam cada vez mais os detalhes rítmicos que podem vir a surgir como surpresa durante a apresentação de uma bateria. Surpresas, que por sinal, não são difíceis de aparecer. Inovações rítmicas e coreográficas despontam cada vez mais durante os desfiles carnavalescos.
A grande dinâmica nas apresentações das baterias atuais faz com que o trabalho seja ainda maior em busca das notas máximas. De acordo com o manual de julgamento da LIESA, os fatores andamento, cadência, criatividade, versatilidade e perfeição de execução  são alguns dos que devem ser levados em consideração durante a avaliação, focos estes estudados pelos julgadores, e também pelos mestres de bateria.
Às vésperas do carnaval e diante dos diversos fatores que influenciam e compõem os pilares de uma bateria, o DIA na Folia foi atrás de especialistas nas questões rítmicas que envolvem o ‘coração’ de uma escola de samba. Em declarações exclusivas, alguns dos fatores cruciais do trabalho de uma bateria dentro de uma escola de samba foram abordados.
Pilares do trabalho – Na busca pelo sucesso
Um dos maiores destaques na atualidade, Mestre Marcão falou um pouco sobre os focos em conjunto do trabalho da bateria, em paralelo com outros fatores influentes para um bom desempenho musical da agremiação. Segundo o comandante da Furiosa, é preciso uma grande integração entre os segmentos da escola.
“Um trabalho muito árduo. É preciso uma integração muito forte entre diversos segmentos, principalmente na harmonia. Os instrumentos de cordas são muito importantes para que possamos manter um encontro rítmico coeso. No momento das paradinhas, por exemplo, é preciso que eles acompanhem os arranjos que fazemos para evitar um desencontro generalizado. Outro aliado muito importante são os intérpretes, a maneira na qual eles interpretam o samba também influencia muito no trabalho da bateria. É preciso que exista uma grande sintonia”, expressou Marcão, que ressaltou também toda a importância do conjunto no trabalho da agremiação.
“Há toda uma preparação, são sete meses de trabalho em busca da perfeição. Ensaiamos por muito tempo para fazer uma apresentação de qualidade na hora do desfile. Prezo muito a identidade da bateria, isto é uma coisa que não pode ser deixada de lado, além de toda a preocupação do andamento com a melodia do samba. Não podemos agredir muito um samba melódico, até para preservar as divisões da letra. Em momento algum pode haver vaidade, não adianta ter um lado bom e outro mais ou menos, a escola está sempre em primeiro lugar. Na hora do desfile só temos que colocar tudo que foi trabalhado em prática, para mostrar que o desenvolvemos durante todo este empenho”, concluiu Marcão.
Ritmo x Melodia – Por uma maior identidade
Mestrando em musicologia pela USP, o autor da premiada iniciação científica “Aspectos estilísticos e transformações do samba-enredo sob o ponto de vista melódico”, Yuri Prado comentou a questão da ligação entre baterias e sambas, expondo a influência que a composição musical pode ter sobre os aspectos rítmicos de uma escola.
“Sambas compostos com uma melodia mais angulosa – que trabalham com uma grande variação nas notas musicais entre graves e agudos – acabam exigindo um andamento mais lento, para que a execução do canto pela escola tenha a possibilidade de ser mais articulada. Enquanto isso, sambas com uma linha melódica mais reta – com poucas variações nas notas – permitem um andamento mais acelerado, pelo fato do aspecto rítmico poder se sobressair ao melódico”, declarou Yuri, que também abordou a importância das características próprias de cada bateria.
“A valorização das características de cada bateria pode gerar uma integração mais profunda até com o modo de se compor sambas-enredo, dar a ele um pouco mais da ‘cara da escola’. A execução de uma característica bem definida pode gerar, inclusive, uma identidade musical mais própria, exaltando suas individualidades”, concluiu.
O espetáculo se aproxima, e as cabeças de todos os envolvidos com o samba seguem aflorando em um grande círculo de pensamentos. Daqui a um mês, as escolas do Grupo Especial desfilarão pela Passarela do Samba para mostrar todo o trabalho de uma temporada, momentos de alegria e emoção estão prestes a contagiar a Cidade Maravilhosa mais uma vez.

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