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Deu samba o encontro de baluartes na Capital

Publicado em 22 de junho de 2010

Samba e história estiveram reunidos no último sábado, na 6ª edição do Seminário Novos Horizontes – Sou Raiz, Sou Cultura. O público foi pequeno, mas quem prestigiou o evento conheceu de perto as idéias de personagens que são referência para amantes do Carnaval.

Escritor e jornalista da RBS, Kenny Braga abriu os painéis propondo um desafio: preservar a memória carnavalesca.
- Peço por mais obras sobre a temática do Carnaval em Porto Alegre. Com tristeza, vejo que ele foi deixado de lado. Precisamos consertar este erro.
Ele não apenas provocou o público a pensar no assunto, como sugeriu uma lista de assuntos que podem ser explorados, entre elas uma biografia de Vicente Rao (não há material sobre o Rei Momo que ostentou a coroa por 22 anos e que intermediava o contato entre carnavalescos e empresários) e o resgate da memória do bairro Santana, onde nasceram muitas escolas.
Do público, surgiu a idéia de o tema ser incentivado em faculdades. O secretário municipal da Cultura, Sérgius Gonzaga, entrou no debate e revelou que está sendo elaborado um projeto para criar um prêmio especial a monografias sobre Carnaval.  Da platéia, surgiram também depoimentos de universitários que já organizaram ou estão organizando suas pesquisas.
É o caso de Helena Cattani, historiadora que utiliza o samba como material didático em sala de aula. Com as letras de samba-enredo, ensina História, Geografia, Literatura e Artes Visuais:
- Meu maior objetivo é que as pessoas que no futuro tentem pesquisar sobre o Carnaval, não tenham a dificuldade que eu estou tendo – completou.
Depois das manifestações, Kenny ainda cutucou os representantes do governo:
- Quem sabe não fazemos enciclopédias sobre o Carnaval?
Carlinhos Brilhante dá dicas aos mestres-salas
Depois do intervalo para o almoço, Carlinhos Brilhante deu início às palestras da tarde. Mestre-sala vencedor do Estandarte de Ouro carioca de 1988, no histórico desfile da Vila Isabel, contou sobre o início da trajetória no Salgueiro, quando foi retirado da bateria em 1967 e convidado a ser segundo mestre-sala, e fez confissões sobre a conquista que o consagrou:
- Ralei muito para chegar onde cheguei. Eu era segundo mestre-sala e me escolheram para ser o primeiro da Vila Isabel. Consegui quatro notas máximas. Ninguém me tira este título.
Mestre Manoel Dionísio, que acompanhou a desenvoltura do amigo na avenida, complementou:
- Como foi pego de surpresa, ele deu tudo o que tinha que dar. Antes do resultado, eu já disse pra ele de que seria o vencedor do estandarte. Naquele ano, se conseguiu ganhar sem pluma e sem paetê, só na ráfia e no lamê.
Apesar de receoso por participar pela primeira vez de um seminário, Brilhante, que ganhou o apelido pelo sorriso constante, listou algumas funções que considera importantes para um mestre-sala: saber avançar com categoria, elegância e charme; fazer uma boa apresentação em frente aos jurados; saber apresentar sua agremiação com muito orgulho; encontrar um “guardião” para deixar o pavilhão da escola e, no momento da dança, não esquecer dos gracejos.
Delegado e seu gingado único
Com o gingado e a leveza de gestos que lhe são característicos, Hélio Laurindo da Silva, o Delegado da Mangueira, também se juntou à conversa. O histórico e premiado mestre-sala, atual diretor de harmonia, ensinou que é preciso “Amar a sua escola”.
Aliás, isso ele sabe muito bem. Desde criança, frequenta a Estação Primeira de Mangueira e carrega no nome a paixão pela agremiação. O mestre dos mestres-salas fez questão de relembrar o episódio em que a peruca da porta-bandeira que o acompanhava caiu no chão, durante um desfile. Imediatamente, com sua desenvoltura, abaixou-se, pegou a peruca com a boca e colocou na cabeça da parceira novamente:
- Ali, os jurados me deram os 10 pontos! – declarou sorrindo, conscientes da admiração que seus passos sempre despertaram.
Antes do final da palestra, mais um ensinamento:
- O mestre-sala e a porta-bandeira precisam saber que têm uma responsabilidade imensa, porque podem fazer a escola de samba ganhar ou perder.
Vindo de um mestre-sala que conquistou por 36 anos seguidos a nota máxima, restou ao público apenas concordar e aplaudir.
Dedicação de Ivonilda extrapola o sambódromo
Consagrada porta-bandeira, Dona Ivonilda Peçanha agradeceu a ótima recepção do povo gaúcho e contou sua história: iniciou no bloco Rosa de Ouro, em Oswaldo Cruz, mas estreou em escola de samba anos depois, na Portela. Passou por outras escolas, até conhecer a Mocidade Independente de Padre Migueol, onde permaneceu por 15 anos.
Sua paixão pelo Carnaval não se restringia aos desfiles na Marquês de Sapucaí e, em 1996, criou com mais quatro amigos o projeto social Madureira Toca, Canta e Dança, destinado a crianças e adolescentes do Rio de Janeiro.
Para as damas que conduzem um pavilhão, destacou detalhes preciosos:
- Tem que ter postura, ser popular e simpática. E também não é só com bateria que se dança, tem que ter cadência e saber ouvir a música.
Dona Ivonilda elogiou a performance de porta-bandeira Kizzy Pereira, que, acompanhada do mestre-sala Gustavo Tiriri, participou da abertura do seminário com o grupo show da Udesca.
- Quando ela entrou, me comoveu, porque lembrei de mim na avenida – confessou.
Um alerta do Mestre Dionísio
Mestre Manoel Dionísio, que desde 2001 frequenta a capital gaúcha para ministrar cursos de porta-estandarte e de mestre-sala e porta-bandeira, também ficou à vontade para deixar o seu recado:
- Eu fico muito feliz, porque em Porto Alegre o Carnaval é feito por gente de Porto Alegre. Não caiam na tendência de importar o Carnaval, porque vocês vão perder a essência daqui.

Samba e história estiveram reunidos no último sábado, na 6ª edição do Seminário Novos Horizontes – Sou Raiz, Sou Cultura. O público foi pequeno, mas quem prestigiou o evento conheceu de perto as idéias de personagens que são referência para amantes do Carnaval.Escritor e jornalista da RBS, Kenny Braga abriu os painéis propondo um desafio: preservar a memória carnavalesca. - Peço por mais obras sobre a temática do Carnaval em Porto Alegre. Com tristeza, vejo que ele foi deixado de lado. Precisamos consertar este erro.Ele não apenas provocou o público a pensar no assunto, como sugeriu uma lista de assuntos que podem ser explorados, entre elas uma biografia de Vicente Rao (não há material sobre o Rei Momo que ostentou a coroa por 22 anos e que intermediava o contato entre carnavalescos e empresários) e o resgate da memória do bairro Santana, onde nasceram muitas escolas. Do público, surgiu a idéia de o tema ser incentivado em faculdades. O secretário municipal da Cultura, Sérgius Gonzaga, entrou no debate e revelou que está sendo elaborado um projeto para criar um prêmio especial a monografias sobre Carnaval.  Da platéia, surgiram também depoimentos de universitários que já organizaram ou estão organizando suas pesquisas.É o caso de Helena Cattani, historiadora que utiliza o samba como material didático em sala de aula. Com as letras de samba-enredo, ensina História, Geografia, Literatura e Artes Visuais: - Meu maior objetivo é que as pessoas que no futuro tentem pesquisar sobre o Carnaval, não tenham a dificuldade que eu estou tendo – completou.Depois das manifestações, Kenny ainda cutucou os representantes do governo:- Quem sabe não fazemos enciclopédias sobre o Carnaval?Carlinhos Brilhante dá dicas aos mestres-salasDepois do intervalo para o almoço, Carlinhos Brilhante deu início às palestras da tarde. Mestre-sala vencedor do Estandarte de Ouro carioca de 1988, no histórico desfile da Vila Isabel, contou sobre o início da trajetória no Salgueiro, quando foi retirado da bateria em 1967 e convidado a ser segundo mestre-sala, e fez confissões sobre a conquista que o consagrou:- Ralei muito para chegar onde cheguei. Eu era segundo mestre-sala e me escolheram para ser o primeiro da Vila Isabel. Consegui quatro notas máximas. Ninguém me tira este título.Mestre Manoel Dionísio, que acompanhou a desenvoltura do amigo na avenida, complementou:- Como foi pego de surpresa, ele deu tudo o que tinha que dar. Antes do resultado, eu já disse pra ele de que seria o vencedor do estandarte. Naquele ano, se conseguiu ganhar sem pluma e sem paetê, só na ráfia e no lamê.Apesar de receoso por participar pela primeira vez de um seminário, Brilhante, que ganhou o apelido pelo sorriso constante, listou algumas funções que considera importantes para um mestre-sala: saber avançar com categoria, elegância e charme; fazer uma boa apresentação em frente aos jurados; saber apresentar sua agremiação com muito orgulho; encontrar um “guardião” para deixar o pavilhão da escola e, no momento da dança, não esquecer dos gracejos.Delegado e seu gingado únicoCom o gingado e a leveza de gestos que lhe são característicos, Hélio Laurindo da Silva, o Delegado da Mangueira, também se juntou à conversa. O histórico e premiado mestre-sala, atual diretor de harmonia, ensinou que é preciso “Amar a sua escola”.Aliás, isso ele sabe muito bem. Desde criança, frequenta a Estação Primeira de Mangueira e carrega no nome a paixão pela agremiação. O mestre dos mestres-salas fez questão de relembrar o episódio em que a peruca da porta-bandeira que o acompanhava caiu no chão, durante um desfile. Imediatamente, com sua desenvoltura, abaixou-se, pegou a peruca com a boca e colocou na cabeça da parceira novamente:- Ali, os jurados me deram os 10 pontos! – declarou sorrindo, conscientes da admiração que seus passos sempre despertaram.Antes do final da palestra, mais um ensinamento:- O mestre-sala e a porta-bandeira precisam saber que têm uma responsabilidade imensa, porque podem fazer a escola de samba ganhar ou perder.Vindo de um mestre-sala que conquistou por 36 anos seguidos a nota máxima, restou ao público apenas concordar e aplaudir.Dedicação de Ivonilda extrapola o sambódromoConsagrada porta-bandeira, Dona Ivonilda Peçanha agradeceu a ótima recepção do povo gaúcho e contou sua história: iniciou no bloco Rosa de Ouro, em Oswaldo Cruz, mas estreou em escola de samba anos depois, na Portela. Passou por outras escolas, até conhecer a Mocidade Independente de Padre Migueol, onde permaneceu por 15 anos.Sua paixão pelo Carnaval não se restringia aos desfiles na Marquês de Sapucaí e, em 1996, criou com mais quatro amigos o projeto social Madureira Toca, Canta e Dança, destinado a crianças e adolescentes do Rio de Janeiro.Para as damas que conduzem um pavilhão, destacou detalhes preciosos:- Tem que ter postura, ser popular e simpática. E também não é só com bateria que se dança, tem que ter cadência e saber ouvir a música.Dona Ivonilda elogiou a performance de porta-bandeira Kizzy Pereira, que, acompanhada do mestre-sala Gustavo Tiriri, participou da abertura do seminário com o grupo show da Udesca.- Quando ela entrou, me comoveu, porque lembrei de mim na avenida – confessou.
Um alerta do Mestre DionísioMestre Manoel Dionísio, que desde 2001 frequenta a capital gaúcha para ministrar cursos de porta-estandarte e de mestre-sala e porta-bandeira, também ficou à vontade para deixar o seu recado:- Eu fico muito feliz, porque em Porto Alegre o Carnaval é feito por gente de Porto Alegre. Não caiam na tendência de importar o Carnaval, porque vocês vão perder a essência daqui.


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