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Especial Tamborim: Entre histórias e ideais

Publicado em 11 de março de 2013

Por Rafael Arantes

Rio –  Admirado por muitos, o tamborim é um dos instrumentos que vem gerando maior procura nas baterias das escolas de samba. Famoso por quebrar a logística das batidas básicas dentro de uma bateria, o pequeno instrumento gera tamanha repercussão por todo o mundo do Carnaval. Polêmicas, dúvidas, discussões, vaidades, opiniões.. fatores que em um grande cartel de acontecimentos marcam a história do tamborim na Cidade Maravilhosa.
No passado, uma certa rivalidade passou a crescer diante dos tamborim de diversas escolas. A superioridade de algumas alas, da mesma maneira que gerava admiração, também causava alguns conflitos entre os sambistas. Ilha e Mocidade enfrentaram um grande estigma de “domínio territorial” quando o assunto era tamborim nas décadas de 80 e 90. Atualmente, algumas alas costumam ganhar elogios com muita frequência, e o fato também gera uma certa polêmica.
Na Mocidade desde 1997, Eduardo Amorim vivenciou alguns dos anos da magnífica e relicária ala de tamborins da escola de Padre Miguel. Segundo Eduardo, que já desempenhou também a função de diretor, a rivalidade saudável encontrada antigamente parece ter sofrido algumas mudanças nos dias de hoje.
“Ilha e Mocidade tiveram alas que realmente se mostraram em um alto nível nos anos 80 e 90. Atualmente, Tijuca e Portela se destacam, mas não vejo com uma proporção tão grande como nos outros casos, principalmente por não existir uma diferença tão expressiva para as demais escolas. Mas, na verdade, existe sim uma vaidade entre alguns ritmistas, e até mesmo seus diretores”, comentou Eduardo, que teve o pensamento reforçado por Gabriel Pessoa, o famoso Biel da Grande Rio.
“Sempre achei as antigas rivalidades algo muito sadio, nos dias de hoje que vejo uma intensidade maior por diversos fatores. Creio que até mesmo a atual facilidade de conseguir desfilar pode estar colaborando com isso. Existe uma demanda muito grande nos dias de hoje, e o modo mais simples que as pessoas tem de conseguir fazer parte de uma bateria acaba gerando uma certa vaidade. Acho que faltam maiores desafios. A dificuldade te faz crescer, te faz ganhar seu espaço”, ressaltou Biel.
Tipos de toque são estudados
Diferenciado facilmente dos demais integrantes de uma bateria de escola de samba, sua sonoridade também é um dos motivos que ganha destaque pelos entendedores e praticantes, e os diferentes tipos de toque são fortes assuntos para as críticas e pautas das conversas dos sambistas.
Musicista formada pela Escola de Música Villa Lobos, Thalita Santos é uma das grandes apaixonadas pelo instrumento. Ritmista de diversas escolas de samba, a jovem também desempenha a função de professora quando o assunto é samba, e fez questão de divulgar um vídeo explicando a diferença das duas principais maneiras de se tocar tamborim. Segundo Thalita, o polêmico assunto se faz necessário e importante aos olhos de todos os que se relacionam com o instrumento.
Além da polêmica com as maneiras de se tocar o tamborim, outra curiosidade gera uma repercussão bastante intensa entre as pessoas que executam o seu toque: os desenhos. Os tipos de batida que se encaixam junto ao tradicional carreteiro estão sendo inovadas a cada dia, e o que mais repercute neste assunto é a maneira de produção dos toques. Possivelmente preparado sobre a melodia de cada samba-enredo ou através do tempo e compasso musical, os famosos desenhos de tamborim geram grande discussão pelo Carnaval carioca.
Portela aposta na ‘Ousadia’
Diretor da Portela, Vinícius Ximenes é um dos adeptos ao estilo mais “ousado” das batidas. Claramente simpatizante dos desenhos em cima do tempo musical, o comandante da ala azul e branca não esconde a busca por uma identidade pessoal ao trabalho.
“Sempre procurei fugir da lógica, da linha tradicional e buscar algo que pudesse ser tornar uma característica para a ala de tamborins da Portela. Algo que pudesse ser identificado de longe, sem visualização, apenas pelo som. Hoje, consegui imprimir uma identidade com apelo da ousadia, associando sempre a alguma temática musical ao enredo escolhido pela escola. Com o passar dos anos, a proposta de surpreender se tornou cada vez mais sequencial, mas sem querer brilhar mais do que a bateria, pois o que tem que sobressair é o conjunto” comentou.
Linha melódica e integração
Diferentemente da escola de Madureira, a Unidos da Tijuca tem à frente de seus tamborins um líder com um pensamento distinto. No cargo desde 2008, Diogo Oliveira, o Coringa, busca criar e caracterizar o toque dos ritmistas da Pura Cadência com desenhos mais próximos da melodia dos sambas. Outro tópico exaltado pelo diretor é a procura por uma grande integração de seus componentes.
“Aqui na Tijuca, procuramos fazer um desenho dentro da melodia e da letra do samba. Buscamos desempenhar o trabalho de acordo com a capacidade da nossa ala, uma batida que dê prazer ao ritmista ao tocar conosco. Não necessariamente algo que seja muito complicado, mas que agrade ao nosso mestre. Mesmo sendo o diretor, dou o direito a todos os integrantes da ala a demonstrarem suas opiniões sobre o desenho e, se alguém tiver uma ideia legal, não vejo problema algum em implementar junto ao meu trabalho. Valorizamos muito a união do nosso grupo”, contou Coringa.
Elo entre estilos distintos
Entre os dois estilos distintos, encontra-se uma tentativa pela mescla das características. Aos 50 anos de idade, Maurício Queiroz, que comandou a ala de tamborins da Tradição neste ano, ressalta que ainda procura um método de criação diferente para seus trabalhos. A união do estilo melódico com a ousadia dos tempos musicais é visto como grande aposta para o experiente sambista.
“De uns 10 anos para cá, tenho sempre preferido desenhos em cima do tempo ao invés do baseamento nas letras e melodias. Acho que esta alternativa já se tornou muito óbvia e repetitiva, neste ano mesmo tivemos uma grande escola com recursos absolutamente iguais aos de anos anteriores, em função da melodia semelhante. Fui muito adepto aos desenhos que acompanham a melodia dos sambas, mas hoje, penso que este recurso já está superado. É preciso mais criatividade. Se fizermos uma mescla entre melodia, letra e tempos musicais com inéditas criações rítmicas, teremos desenhos que acompanhem a modernidade nas baterias. Esta junção seria uma grande metodologia”, projetou Maurício.

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