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Figurinistas europeias são costureiras no barracão da Mangueira

Publicado em 26 de janeiro de 2011

Alice Fernandes

RIO – Para colocar o carnaval na rua, a Estação Primeira de Mangueira está contando com uma ajudinha de fora, mais precisamente da Europa. Apaixonadas pelas famosas cores da agremiação carioca, o verde e o rosa, duas figurinistas formadas pela escola inglesa de artes dramáticas Bristol Old Vic Theatre School deixaram seus países em busca de um sonho: costurar para uma escola de samba. As aventureiras em questão são a italiana Kathleen Carpenter e a britânica Abgail Kennedy.
No fim do ano passado, a dupla desembarcou no Rio de Janeiro e, mesmo sem falar uma palavra em português, conseguiu uma vaga no ateliê da Mangueira, que funciona na Cidade do Samba, na Gamboa. Um tanto obstinadas, caso não conseguissem convencer, com a lábia, os carnavalescos Mauro Quintaes e Wagner Gonçalves de que poderiam fazer diferença na equipe de costura, elas apostavam que as fotos e desenhos que haviam produzido na Inglaterra impressionariam os artistas. E estavam certas. Há exatos dois meses, as gringas dão expediente nas dependências da agremiação, que no desfile desse ano homenageia o centenário de nascimento de Nelson Cavaquinho.

Abigail Kennedy (inglesa) e Kathleen Carpenter (itália) trabalham no barracão da Mangueira. Foto de Alice Fernandes

- Não as contratamos de imediato por que no portfólio que elas apresentaram tinha muita coisa de época, tudo era meio voltado para ópera, não para o samba. Mas, num segundo momento, percebemos que elas poderiam ser úteis para fazer as fantasias de uma das alegorias, que exigia um requinte maior. Quando telefonamos para dar a notícia, elas nem acreditaram – lembra Quintaes.
Abigail Kennedy, de 32 anos, vem tirando de letra o trabalho na escola e já consegue se comunicar com certa fluência em português. O maior desafio da inglesa, até o momento, tem sido suportar o calor que faz no quarto andar do barracão, onde a ventilação é escassa:
- Não estamos acostumados com essa temperatura tão alta. Seria bem legal se nos mandassem mais ventiladores, mas, fora, isso, tudo é maravilhoso. Estamos sendo muito bem recebidas na Mangueira e, como eu amo as cores da escola, tudo está valendo a pena. Não tínhamos contato nenhum no Brasil, mas eu precisava tentar. O ritmo de trabalho é intenso, a produção muitas vezes parece impossível de ser concluída, mas já estou pronta para participar do carnaval 2012 e vou esperar o convite.
Kathleen, a outra corajosa, de 26 anos, está impressionada com a demanda por roupas no barracão da Mangueira e, embora menos familiarizada com a língua portuguesa do que Abigail, também pretende retornar ao Brasil para o carnaval do ano que vem.
- Somos profissionais do circo e do teatro na Inglaterra, mas sempre soubemos que a maior festa do mundo era aqui no Rio. Largamos tudo que tínhamos por lá e, agora que fomos aceitas, não podemos pensar em parar. Dá muito trabalho, ficamos bastante cansadas, mas não nos arrependemos. Estamos realizando um sonho – diz a italiana, que está morando provisoriamente na Lapa, onde alugou uma casa com a amiga.
Apesar de serem bem remuneradas pelas produções para as quais trabalham na Europa, as gringas recebem da verde e rosa o salário padrão das costureiras da escola.
- A Kathleen e a Abigail estão contribuindo muito para o nosso carnaval por terem um estilo de acabamento impecável e diferenciado. Mas, no fim do mês, recebem a mesma quantia que as demais costureiras. Não tem nada de libra ou euro, é tudo em real – brinca Wagner Gonçalves.
Depois de terminarem o que vieram fazer no Rio, as estrangeiras voltarão à Inglaterra para confeccionar as fantasias do carnaval local, mas não sem antes experimentarem o gostinho de desfilar na Marquês de Sapucaí:
- Estamos torcendo para o dia do desfile chegar. Poderemos ver o nosso trabalho de perto e será emocionante entrar no Sambódromo sabendo que uma parte daquilo foi feito por nós – comemora Abigail.
A Mangueira será a última escola a entrar na avenida, no domingo de carnaval.


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