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Grande Rio vai homenagear a superação de David Brazil no carnaval 2012

Publicado em 20 de maio de 2011

David Brazil será homenageado pela escola de samba Acadêmicos do Grande Rio no carnaval 2012. A homenagem não visa enaltecer a amizade e popularidade do promoter com os famosos nem seu carisma junto ao grande público. O enredo que a escola de Duque de Caxias vai apresentar no ano que vem – “Eu acredito em você, e você?” – é sobre a superação da humanidade, e David, 41 anos, é experiente nesse quesito. Tanto que será destaque de um carro criado só para ele pelo carnavalesco Cahê Rodrigues.

Quarto filho de uma doméstica, Francisco David dos Santos nasceu em Muribeca, na periferia do Recife. Na época, o local era arborizado e cercado de riachos, mas a casa de David era uma palafita e ficava em uma favela. Na mesa da família Santos nunca havia carne, e para não passar fome, o cardápio era uma mistura de coentro colhido na horta do quintal acrescido de farinha e sal. O terreno da casa também fornecia a banana verde que era cozida e ia acompanhada de caroço de jaca.
“Não tínhamos dinheiro para comer. Na escola pública estadual eu era o único que não levava lanche, e meus uniformes eram usados, herdados dos colegas. Um dia os meus amigos me deram uma cesta de comida que foi devolvida pela minha mãe. Ela era muito ciumenta”, lembrou David.


David Brazil e a mãe, Maria Cícera


Maria Cícera de Mello trabalhava como empregada doméstica para sustentar os quatro filhos: Ana Elizabeth, Ana Lúcia, Samuel Luís, e João Luís. Evangélica, não aceitava o jeito, digamos, espontâneo de David, que desde criança gostava de imitar Gretchen na calçada de casa.
“Sempre fui gay e até a minha unha eu pintava, escondido da minha mãe, lógico. Por pouco não virei travesti. Aos 14 anos, um senhor de 50 e poucos anos que trabalhava comigo numa empresa de café, queria me levar para a casa dele e me dar hormônios femininos. Mas não topei, não”, disse David.
Virgindade em troca de um chiclete
Apaixonado por um chiclete que trazia tatuagens e impossibilitado de comprá-lo, o pré-adolescente David, então com 13 anos, trocou a sua virgindade pelo doce. “Tinha um vizinho mais velho que me chamou na sua casa, e troquei a minha virgindade por um chiclete Ploc”, disse aos risos.

Foi graças a um casal, amigos dos donos da casa onde ele trabalhava como faz-tudo, que começou o seu processo de superação. O casal o convidou para conhecer o Rio de Janeiro. Ele tinha na época 18 anos e depois de enfrentar três dias de viagem de ônibus desembarcou na cidade. Hospedado no apartamento deles na Praia de Botafogo, na Zona Sul do Rio, David olhou para a paisagem e fez uma promessa a si mesmo.
“Disse que nunca mais sairia daquela cidade. Que ela seria meu novo lar”.
O primeiro emprego que conseguiu foi como caixa de um restaurante natural em Ipanema. Além desse emprego, também foi trabalhar como caixa de outro restaurante badalado. Mas esse trabalho durou pouco. “Era impedido de atender ao telefone por causa da minha gagueira. Um dia precisei atender o aparelho e demorei um tempão para anunciar o nome do lugar. Do outro lado da linha era o proprietário, que me demitiu.”
Em outro emprego, também em um restaurante famoso da época frequentado por famosos, o maitrê mandou que David substituísse a relações públicas que havia faltado no dia. Dali não saiu mais.
“Sempre fui muito autêntico e elogiava a roupa das clientes, o sapato, e assim fui conquistando a clientela”, que na época era formada por Claudia Raia, Alexandre Frota, os diretores da Rede Globo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, e Paulo Ubiratan, morto em 1998, entre muitos outros.
Mil e uma atividades
O resto da história muitos já conhecem. Além do trabalho como promoter de uma famosa churrascaria há 16 anos, David tem um programa de rádio, escreve uma coluna num jornal popular e trabalha numa atração dominical do SBT.

Da casa simples de Recife sobrou a lembrança. Há 3 anos David Brazil mora num apartamento de R$ 1 milhão e 200 mil – quitado em três anos – em frente à praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Mensalmente dá uma ajuda financeira a seus oito sobrinhos e é recebido como estrela quando visita os parentes em Pernambuco.
“Tenho certeza que Deus, diante de milhões, colocou o dedinho na minha cabeça e falou: esse é meu e vou tomar conta dele. Porque eu tinha tudo para dar errado: sou gay, gago, paraíba, pobre, pintosa… Sou apenas um escolhido de Deus.”


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