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Gravação de DVD coloca no mesmo palco divas da música afrobrasileira

Publicado em 24 de agosto de 2010

Celebrado em 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. Naquela data, será lançado o DVD comemorativo aos 22 anos da Fundação Cultural Palmares, gravado na última sexta-feira, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Claudio Santoro em Brasília. O evento festivo teve como ponto alto o concerto Mães D’Água — yeyê omó ejá, em homenagem a Yemanjá.



Apoteose: a Sala Villa-Lobos ficou pequena para tanta alegria ao som do samba-enredo da Império Serrano


A concepção do espetáculo foi de Zulu Araújo, presidente da Fundação Palmares. Fábio Espírito Santo assinou a direção artística e Angelo Rafael Fonseca, a direção musical. O maestro regeu orquestra de 44 músicos, formada por instrumentistas brasilienses, e uma banda que acompanhou sete cantoras negras, de diferentes estilos e gerações: Alaíde Costa, Daúde, Luciana Mello, Margareth Menezes, Mart’nália, Paula Lima e Rosa Marya Colin.
O público que superlotou a Villa-Lobos— em meio aos espectadores estavam o ministro da Cultura, Juca Ferreira, e Vovô, fundador do mítico bloco afro Ilê Aiyê — aplaudiu antes as ganhadoras do Troféu Palmares 2010, escolhidas por 21 mil votantes, via internet, entre 15 personalidades femininas pré-selecionadas. As vencedoras foram a yalorixá alagoana Mãe Neide Oya D’Oxum (campo religioso); a especialista em culinária baiana Alaíde do Feijão (campo social) e a atriz Chica Xavier (campo cultural). As três foram aplaudidíssimas ao agradecerem a escolha e falarem da atuação na luta pela igualdade racial, combate ao preconceito religioso.


Mart'nália encantou o público com sua irreverência e bom-humor


Durante duas horas, as cantoras, usando figurinos criados por Márcia Ganem, participaram de encontro inédito em cenário de Caio Couto, em que flores — oferenda da preferência da vaidosa Yemanjá, com perfume, pente e espelho — eram destaque, sob o foco da luz criada por Irma Vidal. Tudo registrado pela equipe de seis técnicos, sob o comando de Leonardo Cinelli e Daniel Dinelli.
Músicas que evocam Yemanjá foram reunidas no roteiro do show, antecedido por Marabô Layô, tema instrumental, executado pela orquestra. Na abertura, Paula Lima cantou Caminhos do mar (Dorival Caymmi, Danilo Caymmi e Dudu Falcão). Em seguida surgiu em cena Luciana Mello interpretando Arrastão (Edu lobo e Vinicus de Moraes), canção que lançou nacionalmente Elis Regina, num remoto festival na década de 1960. Depois, elas juntaram as vozes em Gandaia das ondas (Lenine e Dudu Falcão).
No segundo bloco, majestosa, a septuagenária Alaíde Costa, referência da bossa nova, interpretou Quem vem pra beira do mar (Dorival Caymmi); enquanto Rosa Maria mostrou Canto de Yemanjá. Em duo, fizeram Conto de areia (Romildo Bastos e Toninho Nascimento), um dos maiores sucessos de Clara Nunes, que ganhou coro de parte dos espectadores.
Rebolado
O público, que vinha aplaudindo calorosamente todas as participantes do show, foi ao delírio no momento mais aguardado do espetáculo, o que reuniu Mart’nália e Margareth Menezes. Com a conhecida irreverência, a filha de Martinho da Vila levou os fãs à gargalhada ao mostrar claramente que não sabia a letra de O mar serenou (Candeia). A cola que iria ajudá-la foi afixada num vaso de flores de cabeça para baixo. Sem perder o rebolado, seguiu em frente, mas teve que refazer a música.
Depois tirou onda com Margareth Menezes, quando a baiana se pôs a cantar Rainha do mar (Dorival Caymmy), principalmente ao ouvir o verso “Minha sereia é moça bonita/ Minha sereia é moça bonita/ Nas ondas do mar/Aonde ela habita..”. Isso porque Margareth, com um modelo provocativo, chamava atenção para suas formas, como se fosse uma sereia negra.
Quem se surpreendeu com a acolhida carinhosa dos brasilienses foi Daúde, cantora à margem da grande mídia, mas que, pelo visto, possui muitos admiradores na capital. Com belíssima interpretação e gestos elegantes em Agradecer e abraçar (Vevé Calazans) deixou todos impressionados. No fim, ela e as outras cantoras levantaram as 1.500 pessoas presentes com o samba-enredo clássico da Império Serrano Lenda das sereias (Vicente Mattos, Dinoel e Arlindo Velloso), e Dois de fevereiro (Dorival Caymmi). Ambas foram repetidas no bis, aí já com todo mundo sambando.

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