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Jacarezinho canta Jamelão e desfila no embalo da paz

Publicado em 07 de janeiro de 2013

Por Caio Barbosa

Rio –  O Carnaval deste ano será inovador para uma escola tradicional do Rio de Janeiro: a Unidos do Jacarezinho. Alçada à Série A com a criação da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Lierj), a agremiação voltará à Sapucaí em clima de festa e de paz. Com a ocupação da comunidade pelas forças de segurança, em outubro passado, os ensaios estão cada vez mais cheios, dando vida nova à escola.
“A comunidade nunca deixou de frequentar a quadra, mas os visitantes não tinham coragem. Agora temos mais gente, mais exposição na mídia. Falta o incentivo público prometido. As escolas de samba são um polo de cultura e emprego. Falta a contrapartida, mas melhorou bem”, conta o presidente José Roberto da Silva, há 13 anos no cargo.
Para comemorar o retorno à Sapucaí, após desfilar na Intendente Magalhães no ano passado, a escola apostou num trunfo que espera trazer sorte à escola: o enredo sobre o centenário do falecido mestre Jamelão, da Mangueira.
“A gente volta à Sapucaí para nunca mais sair. Ganhamos o Grupo C no ano passado falando do Nelson Sargento e agora faremos mais um grande Carnaval sobre o Mestre Jamelão”, aposta o presidente José Roberto.
A Jacarezinho surgiu em 1967 da fusão de Unidos do Morro Azul e Unidos do Jacaré com o bloco Não Tem Mosquito. Histórias foram contadas no livro ‘Marcados para Viver — a luta de 5 escolas’, do jornalista João Pimentel.
“A Unidos do Jacarezinho gira em torno do Monarco, grande baluarte da Portela, que foi à comunidade no dia da fundação da escola, compôs um samba na hora e ganhou o Carnaval de 1967, no terceiro grupo. Fez sambas lindíssimos lá”, lembra Pimentel.
Segundo amor de mestre Monarco
Fundador, compositor, cantor, carnavalesco e presidente. Na Unidos do Jacarezinho, Monarco já foi de tudo. E hoje conta como começou esse caso de amor com a escola.
“Eu andava meio chateado com algumas coisas que estavam acontecendo lá em Madureira (Portela), e o falecido Norato me levou para o Jacarezinho. Me deram o enredo (Frei Caneca) e eu adorei. Frei Caneca tem história semelhante à de Tiradentes. Fiz o samba e ganhamos o Carnaval no terceiro grupo. A Beija-Flor ficou em segundo. Olha como são as coisas”, brincou.
A relação de Monarco com o Jacarezinho acabou extrapolando os limites da quadra. “Casei com a falecida Gilda e fui morar lá. Ah, e este ano vou desfilar. Anota aí”. Anotado, mestre.

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