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Leandro Sapucahy – CD “Malandro Também Ama”

Publicado em 09 de abril de 2011

Leandro Sapucahy é um sambista da tradição dos grandes cronistas da cidade, um artista que se inspira nas ruas e nos humores que percebe nelas. Seus discos anteriores (Cotidiano, de 2005, e Favela, de 2008) são das melhores trilhas sonoras para se acompanhar o momento daquele Rio que fervia, no auge da violência urbana. Leandro fazia o ‘samba de bandido’.
A música acompanhava o movimento nas favelas e o bangue-bangue feroz nas comunidades acuadas pela absoluta incapacidade de perceber, no meio do tiroteio entre policiais e traficantes, o que era o bem e o mal.
A cidade mudou, o artista percebeu.

Malandro também ama é um disco de samba-romântico, de coração aberto para a esperança, onde os desentendimentos, quando existem, são os dos amantes que chegaram ao fim do caminho e, resignados, partem para novos projetos de felicidade. Zero de denúncia, nada de enfrentamento. O ‘malandro carioca’, personagem de Leandro, continua em cena, agora com outras intenções. Não disputa o poder no morro, mas o coração de alguma mulher.
Em Lados paralelos, Leandro mostra que o tiroteio adotou calibre diferente (“de amor, meu coração foi baleado”) e como bom cronista do seu tempo, ele está na cena do crime para anotar o fogo cruzado que interessa aos novos sambas.
É um disco de nervos relaxados depois de muita tensão, músicas de bem com o lado positivo da vida (“hoje cedo eu acordei, agradecendo mais do que pedindo a Deus”, diz a última faixa). Se as letras encaminham para louvar o encontro (“se o assunto é amor\ vale a pena tentar”), a sonoridade acompanha suave, com a inclusão de piano, flauta e clarinete ao tradicional conjunto de cavaquinho, banjo e percussão.
Um dos convidados especiais, na faixa Tá mal na moldura, é o grupo Revelação, astro nacional do samba-romântico. O clima é descontraído. Se dos outros discos saíam faixas que nos shows eram acompanhadas pela plateia com gestos da cena rap, desta vez os fãs vão celebrar a festa. Leandro convida a todos para dançar juntinho, levantar os braços e cantar a uma só voz com a multidão.
Ele deixou de lado a expressão de zangado dos trabalhos anteriores para, pela primeira vez, aparecer sorrindo na capa. Nos créditos, reverencia seu mestre maior e dedica o trabalho a Zeca Pagodinho. O compositor com mais trabalhos, em seis faixas, é Serginho Meriti, não por acaso o autor do mega-sucesso de Zeca, o “Deixa a vida me levar”, uma profissão de fé nos bons valores da existência e na força de vontade para vencer as dificuldades.
Em Chega de disse me disse, parceria com Claudinho Guimarães, Serginho lista tudo que é papo furado e conversa fiada para resumir que o tempo é do papo reto, sem caô: “A minha sorte anda sempre comigo\ Eu vou dar meu jeito e meu jeito é o jeito que dá\ Quem tem fé em Deus não se apavora”.

São 14 faixas que inserem definitivamente Leandro Sapucahy no samba-romântico, um gênero de que sempre gostou muito e apresentou em shows, mas dessa vez é assumido de frente num disco todo dedicado a ele. O resultado é a deliciosa crônica de um sambista em paz com a própria vida e com o momento de sua cidade.
A favela, cenário de seus outros discos, continua lá, mas sem alcagüetes e facções criminosas. Em Favela fashion week (Nego Branco, Cleitinho Persona e Manu), não há valões de esgoto ao céu aberto. A favela desta vez é uma passarela de moda, com “cada peitinho, cada bumbum”. Leandro, com orgulho do desfile das moças, aproveita que a cidade agora visita as comunidades pacificadas e reforça o convite: “Sobe lá pra você ver\ Nosso morro é muita ‘treta’\ Nossa Gisele Bündchen é preta\ E ela faz acontecer”.
“O disco tem um conteúdo que fala de amor, tem várias histórias engraçadas que são contadas de uma maneira mais alegre, mais irônica; e tem o romântico também, mas é o romântico que conta uma história bonita. Meus discos são muito percussivos, então, fica difícil ficar triste. É um romântico alegre!” Leandro Sapucahy

Ouça a faixa ” A que mais deixa saudade”

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Repertório – Malandro também ama
1. A que mais deixa saudade (Serginho Meriti)
2. Bateu a responsa (André Renato / Ronaldo Barcellos)
3. Eu não quero saber de nada (Serginho Meriti / Mariozinho Lago)
4. Depois daquele adeus (Serginho Meriti / Claudinho Guimarães)
5. Militante do amor (Leandro Fab / André Renato)
6. Disse me disse (Serginho Meriti / Claudinho Guimarães)
7. Ê coração (Serginho Meriti / Bruno Meriti / Rodrigo Leite)
8. Favela fashion week (Nego Branco / Cleitinho Persona / Manu)
9. Tá mal na moldura (Xande de Pilares / Leandro Fab / Ronaldo Barcellos)
10. Nosso amor é perfeito (Xande de Pilares / Claudemir / Gilson Bernini)
11. Vivendo e aprendendo (Claudemir / Dinei)
12. Trilha sem fim (André Renato / Gilson Bernini / Xande de Pilares)
13. Lados paralelos (Flavinho Silva / Carlinhos da CEASA / Almir De Araujo)
14. Agradecendo a Deus (Serginho Meriti / Serginho Madureira / Capri)


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