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Mart´Nália lança disco com vários gêneros musicais produzido por Djavan

Publicado em 18 de abril de 2012


“Quem não morre, não vê God, né?” Pura filosofia carioca — que Mart’nália resolveu aplicar a si mesma. Um dos grandes sucessos recentes do samba (ela vendeu cerca de 90 mil cópias de seus lançamentos pela Biscoito Fino, 32 mil só do CD Madrugada, de 2008), a cantora entrou numas de que deveria mostrar para o Brasil, em disco, aquilo que canta em casa, para os amigos. E chamou Djavan para a direção e produção musical no estúdio. Não tente compreender, seu novo CD, é a concretização do plano. Risco puro — no pop, no rock e, lógico, no samba. Não se trata, contudo, de uma Mart’nália diferente, garante a própria, para um bom começo de conversa.
“É só um passear por outros sons. Enquanto isso, vai que eu morro, né? Aí, pelo menos, cantei meu rock’n’roll”, brinca. “Quando você faz sucesso com um tipo de música, acaba ficando marcado por ele. Eu queria mesmo mudar o meu som. Nos últimos tempos, cantei com outras pessoas e até passeei pelo jazz com aquela francesa que nem é francesa (a cantora americana Madeleine Peyroux).”
Com Djavan (ou melhor, Dija, que é como a ele carinhosamente se refere), Mart’nália vinha mantendo contato desde que ele deu a música Celeuma para ela gravar em seu DVD ao vivo Pé do meu samba (2003). Quando se certificou de que ele era o cara para produzir seu disco da guinada, começou a assediá-lo pesado nos camarins de seus shows.
“Pra mim, o Dija tem essa veia do jazz, um samba que é só dele, e o lance da gafieira, um samba que vai mais para o coladinho. E eu gosto de dançar…”, explica Mart’nália. “Eu queria ter a sonoridade dele, com mais harmonia do que percussão, e fazer um disco mais sonoramente aberto.”
Surpreso de início, Djavan se propôs a levar a cantora “para um universo diversificado, sem a segmentação do samba”, como diz em depoimento para o material promocional do disco (para o qual a Biscoito Fino alimenta expectativas de vender pelo menos 20 mil cópias e emplacar músicas em novelas). “A Mart’nália tem, no universo vocal feminino brasileiro, talvez uma das vozes mais instigantes, quentes, bonitas. Eu achei que se tratava de uma cantora com possibilidades de cantar qualquer coisa”, conta Djavan.
Uma das poucas objeções do produtor era a de que Mart’nália não pussesse mais de uma música do mesmo compositor no disco. Daí, ela foi atrás de seus velhos colaboradores, como Moska (que veio com o soul romântico que abre o disco, Namora comigo), Caetano Veloso (Demorou) e o pai, Martinho da Vila, que entrou com o dramático jongo Reversos da vida.
“Ele deu uma incerta no estúdio, ouviu a música gravada e pediu para eu trocar a voz”, conta a cantora, que acatou a ordem paterna, mesmo contra a vontade de Djavan (depois, todos ficaram felizes com a nova interpretação).
No bonde dos novatos em disco de Mart’nália vieram Lula Queiroga (“Um cara de quem todo mundo em volta de mim falava”), Junior Almeida (compositor de Alagoas, sugerido por Djavan), André Carvalho (“Meus amigos me deram o disco dele, que eu ouvia e perdia, mas eu ouvia sempre a mesma música”), Marisa Monte (que atendeu ao pedido de “um pop” com a faixa-título do disco, parceria com Dadi) e Nando Reis (“Que eu sempre curti, é o meu lado surfista”).
“Só não canto sertanejo, porque não gosto. Quer dizer, se for No rancho fundo, aí, tudo bem”, avisa, marota.
O tornar-se cantora é algo que ainda intriga Mart’nália. “Eu sou musicista. Negócio de cantar, eu vim convencendo os outros aos pouquinhos. A minha voz mesmo, eu só tenho ouvido de um tempo pra cá. Depois que eu fiquei um pouquinho mais famosa”, conta ela, que toma o CD Pé do meu samba (de 2002, dirigido por Caetano Veloso e produzido por Celso Fonseca) como o seu marco vocal.
“O Caetano dizia: Canta como se você estivesse em casa, no botequim”, lembra. “Antes de Cássia Eller, as vozes que as cantoras almejavam, tirando Bethânia e tal, eram mais finas. Todo mundo tinha mania de ser Elis Regina. Na verdade, eu nunca cantava com a minha voz.”
O show de Não tente compreender, Mart’nália mostra dia 12 de maio, no Rio de Janeiro. A apreensão é grande, diante das novidades, no espetáculo que terá direção de cena de Guilherme Leme e Marcia Alvarez e iluminação de Ney Matogrosso.
“Se eu pudesse, ficava só tocando, botava outra Mart’nália ali”, diz. “Vamos ver… O Dija tinha pedido para que eu tocasse o mínimo possível, que eu me concentrasse na voz. Fui me acostumando com o palco, a ficar um pouco mais na frente, com minha percussão. Não tenho boa concentração pra nada, o que me leva é o som.”
Agora, mais do que nunca, Mart’nália é do Brasil (“Eu nasci no dia 7 de setembro”), da pluralidade, mas o samba, esse ninguém tira nem do novo disco, nem do novo show, nem da sua vida.
“Eu sou do samba mesmo, né? Como é que eu vou tirar a Mart’nália do samba? Só se tirar o Mart e a Anália, a minha mãe, que também era do samba. Só queria era cantar outras coisas.”



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