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Os homens que fizeram o sucesso de Bezerra

Publicado em 20 de março de 2010

Filme vai ao reduto dos compositores da Baixada Fluminense que não ganharam dinheiro com música

Lauro Lisboa Garcia – O Estado de S.Paulo

Bezerra da SilvaO Brasil inteiro conhece e cantou com Bezerra da Silva sucessos como Malandragem, Dá Um Tempo, Minha Sogra Parece Sapatão e Malandro É Malandro e Mané É Mané. Porém, pouca gente ouviu falar do pedreiro, do técnico em refrigeração, do carteiro ou do bombeiro que resgata cadáveres, autores desses sambas antológicos. É aqui que pega o documentário Bezerra da Silva ? Onde a Coruja Dorme, de Márcia Derraik e Simplício Neto, que passa domingo no Auditório Ibirapuera, dentro do festival In-Edit Brasil, de documentários musicais.

Chico Buarque já tinha cantado a bola: o verdadeiro malandro é trabalhador, mora longe e chacoalha no trem. O filme de Márcia e Simplício confirma a sentença e tem caráter de denúncia: nenhum desses compositores viu a cor do dinheiro fazendo música. Em entrevista ao Estado, um deles, Roxinho (autor de diversos sambas gravados por Bezerra), diz que até teve a ilusão de um dia viver de direito autoral. “Mas o próprio Bezerra tirou isso da cabeça da gente. O Carlos Colla (compositor) uma vez me falou que com um sucesso daqueles ele trocava de carro todo ano, mas ele tem advogado, tem os canais pra cuidar dos interesses dele. Nós, não”, diz o pedreiro compositor.

No filme, Bezerra confirma as denúncias e solta farpas contra editoras, gravadoras e profissionais de rádio. “Muita gente de renome no rádio não faz nada, só rouba.” O documentário, que foi feito há quase dez anos, até agora só foi exibido esparsamente em festivais. Ironicamente, nunca entrou em circuito comercial porque, segundo Márcia Derraik, as editoras até agora não liberaram os direitos e todas músicas desses compositores que são o foco do filme e nunca receberam o que lhes é devido.

“É uma loucura você pensar que esses caras fizeram hits que deram vários discos de ouro pro Bezerra e muitos deles hoje não têm onde morar”, diz a diretora. “Adezonilton, um dos compositores de Malandragem, Dá Um Tempo, que foi gravado até pelo Barão Vermelho, é morador de rua. É muito cruel.”

O longa-metragem originou do curta Coruja, realizado em 2001. Desde o início, a idéia era dar visibilidade aos compositores dos quais ninguém falava. Como lembra Roxinho, Bezerra foi o único cantor de renome a colocar os autores com ele nas capas dos discos. Acusado de fazer apologia da bandidagem, Bezerra, que apareceu empunhando revólver e acuado pela polícia em capas de discos, se defende: “Isso é o Brasil, e eu canto isso. Dizem que sou cantor de bandido, mas quem defende bandido é advogado e juiz. Eu canto os compositores da favela.” Em outra sequência arremata: “Não posso cantar o amor, porque nunca tive. Sou realista.”

O amor fica de fora, mas os temas recorrentes da música de Bezerra estão lá, cantados e comentados no filme, de maneira aberta, com pitadas de bom humor e sem preconceito: gírias, crenças, drogas, armas, malandragem, política, sogras. Se como diz o cantor, “o morro não tem voz”, ele teve essa função. Como Bezerra, o documentário fascina por desvendar o que há na toca da coruja.

Um trecho do curta “Onde a Coruja Dorme”.Bezerra da Silva vai onde a coruja dorme.


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