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Rosa Magalhães abre o coração: ‘Chata sim, ranzinza nunca!’

Publicado em 17 de fevereiro de 2013

Por Hilka Telles

Rio –  Com respostas ora sinceras e espontâneas, ora politicamente corretas e comedidas, Rosa recebeu O Dia em sua casa e não se esquivou de perguntas sobre seu famoso gênio indomável.
A autocrítica é direta: “Sou chata, sim! Ranzinza, nunca!”. Durante quase uma hora, a grande dama da Sapucaí, de 66 anos de idade e 42 de avenida, expôs desde gostos singelos até o seu temperamento exacerbado, que lhe rendeu o rótulo de “pessoa difícil”.
“Ah, todos são! Não sou eu apenas! Todo carnavalesco é enjoado. Faz parte da profissão. É igual diretor. Alguém conhece algum diretor bonzinho? O diretor está sempre cobrando. Os carnavalescos não são difíceis. Coitados! É um contra um milhão… Às vezes sou chata para caramba, mas ranzinza não. É que tenho um limite”, acentua Rosa, entre risos, ilustrando em seguida a fama de geniosa.
Tem um episódio que não esqueço. Ai, que vergonha! Eu disse: põe a bolotinha ali, por favor. Coloca a bolotinha ali, por favor. Olha a bolotinha ali, por favooooor!”, narra a carnavalesca, aumentando o tom de voz em muitos decibéis na terceira vez que deu a ordem ao funcionário.

Depois de gargalhar com a própria história, Rosa volta a ficar séria quando o assunto se bandeia para o troca-troca de carnavalescos pós-desfile, caso a escola não tenha obtido boas notas dos jurados. Pode-se traçar um paralelo entre carnavalescos e técnicos de futebol, que vira-e-mexe são demitidos quando o time não vai bem das pernas?
“É. Às vezes tem isso. Parece mesmo (técnico de futebol). Acham que o culpado é ele (o carnavalesco). Mas uma pessoa só responsável por tudo? Isso não existe. É um trabalho conjunto. Se algo dá errado, o conjunto fez bobagem ou pensou que iria dar certo e não deu tão certo assim. Não se deve sacrificar o profissional”, assinala.
Para falar sobre interferências de presidentes de escolas de samba no trabalho dos carnavalescos, Rosa Magalhães procura amenizar.
“Depende de onde você está, que presidente é. Cada lugar é um lugar”, diz, politicamente.
E, se fosse possível, quem Rosa gostaria de ter como parceiro para assinar com ela o carnaval de uma escola?
“Renato Lage. Seria muito legal”, responde, na bucha, a mulher que faz carnaval há mais de quatro décadas e que nunca aprendeu a sambar.
Lazer é “não fazer nada”
A heptacampeã de carnavais cariocas mora em Copacabana desde que nasceu e há sete anos vive na casa que pertenceu ao comediante Oscarito, cercada por cachorros, plantas e uma biblioteca de mais de mil livros sobre artes e figurinos. “É aqui que venho buscar referências para minhas criações”, afirma a carnavalesca Rosa Magalhães.
Foi daqueles livros que também saiu a inspiração para o trabalho que ela mais gostou de realizar — a cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos, em 2007, que abocanhou o prêmio Emmy de melhor figurino, o Oscar da TV americana. Os louros não abalam a humildade de Rosa.“É bom ganhar o prêmio, mas não acho que eu tenha reconhecimento internacional”, diz, com modéstia.
E para mostrar que não é só de carnaval que se vive, Rosa anuncia seu próximo desafio. “Vou fazer os figurinos de uma ópera sobre a Revolução Francesa. Tenho que trabalhar, né?”.
Esse não será seu primeiro passeio pelo universo da ópera. ‘A Menina das Nuvens’, de Villa-Lobos, encenada em 2010, também teve Rosa Magalhães na criação dos figurinos.

Filha de imortal da Academia Brasileira de Letras com uma autora de peças teatrais, de quem Rosa teria herdado a veia de desenhista? A resposta sai com um largo sorriso: “Da mãe da minha mãe, Leocádia”, diz, apontando para um prato pintado pela avó.
Rosa cursou faculdade de Belas Artes e de Figurino e deu aulas até aposentar-se. Dona de “memória de elefante”, como afirma, a carnavalesca relembra o primeiro dia em que deu aula.
“Foi um desastre absoluto. Eu tinha treinado, sabia de cor e salteado, mas quando olhei aquela sala imensa e cheia de gente, me deu um mal-estar. Olhei para a turma e disse ‘já volto’. Saí e vomitei muito. Voltei, fiz logo a chamada e dispensei todo mundo. A partir da segunda aula, deslanchei. Eu tinha 21 anos”, conta.
Rosa Magalhães tem gostos simples, como cuidar pessoalmente da enorme quantidade de plantas que ornamentam o quintal e o interior da sua casa.
“Faz bem para a cabeça”, ensina. Lazer é cinema, muita televisão, alguns livros e “não fazer nada”. Cozinhar? Só quando tem vontade.
“Uma vez fiz um jacaré que deu um trabalho danado. Eles gostaram muito (os comensais)”, orgulha-se a rainha do carnaval de 2013.

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